22 abril 2011

Efésios 4:1-3 - Amor e Unidade

Qual é tua vocação? Posso até não saber qual seja tua vocação como pessoa. Mas sei qual é tua vocação como crente. Teologicamente falando vocação é um chamamento, inclinação, tendência ou talento. Em outras palavras todo crente tem responsabilidades diante de Deus.
As epístolas paulinas contêm um harmonioso equilíbrio entre a doutrina e o dever, e Efésios é um exemplo perfeito disto. Os primeiros três capítulos ensinam a doutrina, tratam das riquezas em Cristo. Do primeiro ao terceiro capítulo todo o plano de salvação é ensinado iniciando com o planejamento de Deus antes da fundação do mundo. Esses três capítulos ensinam que mesmo sem o merecimento somos incluídos no “propósito eterno” de Deus de fazer todas as coisas convergirem em Cristo.
Para equilibrar com esse ensinamento os três últimos capítulos tratarão dos deveres, ou seja, das responsabilidades dos santos em Cristo. A palavra chave nesta última metade do livro é andar (4:1, 17; 5:2, 8, 15). Nestes três últimos capítulos aprenderemos que o andar do crente deve ser em união (4:1-16), deve ser em pureza (4:17—5:17), deve ser em harmonia (5:18—6:9) e deve ser um andar vitorioso (6:10-24). A ideia principal nestes primeiros 16 versículos do quarto capítulo é a unidade dos crentes em Cristo.
Então, no capítulo 4, o objeto do estudo é que a convocação não é mais ao conjunto de crentes, mas sim a cada indivíduo. Paulo nos convoca a reconhecermos, individualmente, a nossa parte nesse novo corpo, o Corpo de Cristo. É importante observar que cada um é convocado a formar uma unidade e não a desenvolver pequenas células, ilhas ou panelas. O crente, que é parte do Corpo de Cristo, a Igreja, é chamado para contribuir com a finalidade de preservar a unidade. “Rogo-vos, pois, eu, o preso do Senhor, que andeis como é digno da vocação com que fostes chamados. Com toda humildade e mansidão, com longanimidade, suportando-vos uns aos outros em amor, procurando guardar a unidade do Espírito pelo vínculo da paz” (Efésios 4.1-3).
Esta convocação, de fato é a uma convocação para uma nova atitude. Essa nova atitude é percebida quando existe humildade, mansidão, longanimidade que, exercitadas em amor, produzem a paz. Já de pronto temos o vislumbre do quanto erramos quando colocamos nossos interesses acima de qualquer coisa, fazendo deles o nosso único objetivo a tal ponto que nada mais importa, mesmo que o resultado da nossa obstinação seja a discórdia, a mágoa, ou a desunião na igreja.
A responsabilidade do crente é guardar, proteger e preservar essa unidade. Para que isto seja feito é necessário compreender que a unidade é uma virtude. A virtude é uma disposição firme para o bem que visa produzir resultados eficazes. Além de ser uma virtude. O crente também precisa entender os dons e o crescimento da unidade. Após essa compreensão três passos são necessários para um andar de modo digno de nossa vocação que é o andar em união.
           Humildade e Mansidão, Efésios 4:2. Essas virtudes só podem ser produzidas pelo Espírito que habita no crente. São totalmente estranhas à carne e desafortunadamente raras nas vidas de muitos crentes. Humildade implica na ideia de simplicidade e não de fraqueza. Jesus Cristo vivia de modo simples neste mundo, porém, de modo algum era fraco. Paulo com certeza havia aprendido ser humilde, mas era um homem de pulso. 
            Mansidão é o mesmo que gentileza. Mas, também tem a ideia de ser uma força controlada. Uma boa ilustração para isso é a de um cavalo manso. Lembro-me de ver meu pai amansando cavalos para puxarem carroças. A maioria não dava muito trabalho apenas precisavam ser domados para serem úteis. Por um outro lado, alguns cavalos não aceitavam numa boa. Eles empinavam, disparavam, davam coices, mordiam e alguns até quebravam o varal das carroças, mas depois de muito trabalho e persistência eram amansados. E passam ser conhecidos como cavalos mansos. Na verdade eles foram obrigados a aprenderem usar a força que tinham em benefício dos homens. Não deixaram de ser cavalos e nem de serem fortes, mas úteis. Temos que nos dominar afim de sermos mansos e úteis para a obra do Senhor.
           Longanimidade, Efésios 4:2. Longanimidade é a conservação de uma atitude tranquila diante da adversidade e perseguição. Em outras palavras é ter calma em momentos tensos. Pessoas que enfrentam problemas e perigos com mais frequência têm mais facilidade de desenvolverem este aspecto do fruto do Espírito em suas vidas. Portanto, agradeça ao Senhor pelos momento de tensão que surgirem em sua vida, eles serão benéficos para que você desenvolva a longanimidade.
            Graças ao bom Deus temos três lindos filhos, uma menina de 3 anos e dois meninos (gêmeos) de 2 anos. São uma benção em nossas vidas. Não conseguimos imaginar a vida sem eles. Eles são excelentes também para nos ajudarem no desenvolvimento de nervos longanimes, ou melhor dizendo, nervos de aço. Sabemos que essa fase vai passar e que teremos saudades, e que quando ela passar seremos muito mais longanimes.
           Esforço Contínuo, Efésios 4:3. Esforçando-nos diligentemente por preservar. Deus sabia que isto não seria sempre possível porque uma pessoa sozinha não pode manter a união. Observe que não é exigido que o cristão faça a unidade, pois só Deus pode criar o laço; mas é responsabilidade do crente se esforçar para preservá-la. Esta é a unidade do Espírito. Isto é, a unidade que foi moldada pelo próprio Espírito Santo, e o Seu laço ou ligamento de paz.
            “Suportando-vos uns aos outros em amor”. Com esta frase fica claro que sem o amor não é possível a unidade e nem coisa alguma. Somente com o amor é possível suportar uns aos outros. Em 1 Coríntios 13 aprendemos que qualquer coisa que façamos sem amor não vale nada. O esforço humano sem amor não vale mais que um ressoar de um sino. Quanto valor tem o som de um sino?
            Vimos no começo que essa epístola tem um equilíbrio entre a doutrina e o dever. É importante conhecer bem a Palavra de Deus? É, mas qualquer conhecimento é sem valor se não for colocada em prática em amor. Existiam três seminaristas que eram muito inteligentes, mas apenas um deles colocou em prática o conhecimento em amor. O primeiro conseguiu um mestrado nos EUA e voltou como professor muito respeitado, mas logo se desviou do ministério por falta de amor. O segundo tinha uma tolerância zero. E somente o terceiro permanece sendo abençoado e usado por Deus, pois usa o conhecimento e a inteligência que tem em amor.
            A Palavra diz que o amor é paciente. Portanto, falta de paciência com as pessoas é falta de amor. Você é paciente com as pessoas que pisam na bola com você? Não? Então, você não ama essas pessoas. O primeiro grande mandamento é amar a Deus acima de tudo e segundo é amar ao próximo e não importa que tipo de próximo que o seu próximo seja. “Suportando-vos uns aos outros em amor” é ser paciente. Há muitas coisas para se aprender sobre o amor. Mas ser paciente já é um grande passo para o amor verdadeiro. Para preservarmos o andar em união só com muita paciência ou melhor dizendo, com muito amor.

2 comentários:

  1. Gostei muito deste ensinamento sobre a epístola de Paulo aos Efésios. Precisamos clamar a Deus pelo fruto do Espírito, para podermos andar de modo digno da vocação a que fomos chamados, sendo a luz do mundo e o sal da terra.
    Eliberto. Membro da Igreja do Evangelho Quadrangular de Guaiçara-SP.

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  2. Eliberto, obrigado pelo comentário. É isso mesmo precisamos desenvolver o fruto do Epírito e vivermos de modo digno neste mundo. Somos luzeiros neste mundo e temos que pregar a Palavra de Deus.

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